Gente, o Escritoras Suicidas, aquele site pirante só com literatura feminina de primeira, está lançando sua primeira antologia, "Dedo de Moça". Minha amiga Patty Flag não poderá ir por ordens médicas (ela está com 83 anos e mora no Rio de Janeiro), mas o lançamento contará com escritoras bacanérrimas como Mariza Lourenço, Virna Teixeira, Valéria Tarelho, e Cida Pedrosa!
Tudo isso acontece neste sábado às 15:30H na Livraria Martins Fontes Av. Paulista 509
Vale muito a pena conferir!!!
Dedo de Moça comemora um projeto que dura (e nos diverte!) há 4 anos. Em outubro de 2005, quando o site Escritoras Suicidas foi lançado na internet, não sabiamos no que ia dar. Hoje o que se sabe é que brincar com estereótipos ainda que a intenção não seja necessariamente essa é um jeito gostoso de se quebrar paradigmas.
O livro, com apresentação do músico, compositor e escritor Guttemberg Guarabyra, texto de orelhas do escritor Nelson de Oliveira, e ilustrações de Eliége Jachini, reúne contos e poemas de 30 autoras brasileiras. Bem, nem todas são mulheres. Mas com exceção de Dominique Lotte e Romina Conti, pseudônimos, respectivamente, dos escritores Iosif Landau e Rodrigo de Souza Leão, falecidos em 2009, nenhum outro autor nessa antologia revela sua identidade masculina ou o que existe sob as suas vestes femininas. Vale tentar advinhar.
Imagem: Mulher com braçada de flores, Di Cavalcanti
Apontaram-te na rua e me disseram: - É mulher da vida.
Pensei logo em mil possibilidades: "Se a vida fosse desposar alguém, seria a ti, alegria em corpo de mulher.
Pensei logo em mil possibilidades: "Se alguém fosse representar a vida, seria ti, força em corpo de mulher.
O dia em teus olhos, a madrugada em tua aura, o sopro, o sopro, o sopro da vida em teus lábios.
Pensei logo em mil possibilidades, mas não sou tolo assim, bem sei o que insinuava o dedo a te catalogar.
E fazia todo sentido que ele te chamasse mulher da vida, porque para ele a mulher ideal lava, passa e goza com igual prazer, não tem vida, é a mulher da morte.
Poemas que latem ao coração + The best of Poetas do Tietê
Não perca a conta, faltam 19 dias para o sarau dos saraus:
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Lançamento do livro "Poemas que latem ao coração", com a presença do poeta Ulisses Tavares, Luisa Mell e de vários poetas integrantes da coletânea - inclusive euzinho aqui.: dia 28/11 às 15:00H no Pet Center Marginal Avenida Presidente Castelo Branco, 1795
Compareça e COMPRE O LIVRO! Além de ser um ótimo e original presente de Natal toda a renda será revertida para entidades que cuidam dos cãezinhos abandonados
É verdade que o poeta vive em busca da poesia em todas as coisas. Mas não se trata de uma cruzada pela beleza, como acreditam os adolescentes românticos. A poesia está na essência das coisas, essência essa nem sempre bonita de se ver.
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Programe-se, falta 1 mês para o sarau dos saraus! The Best Of Poetas do Tietê!
Feito sonhos, quantos poemas já não foram tramados sob o barulho da chuva? Eu não tenho a pretensão, às vésperas de 2010, de ser ou soar novo, inédito, dizer o que nem Proust, Pessoa ou Padre António Vieira tenham dito ainda. Não. Feito jabuticabas apanhadas no pé, aquelas com que a menina foliou-se aos 10 anos na casa da avó vão ser sempre as mais doces. E não é que não façam mais jabuticabas como antigamente; não, agora mesmo, 20 anos depois, outra menina de 10 anos está descobrindo as suas. Apenas isso almejo enquanto poeta, conquistar um leitor. Que seja um poema meu que leve uma pessoa a entender que a poesia é tão essencial à vida quanto a chuva, os sonhos e os frutos. Se uma pessoa guardar um poema meu como o deflagrador desta simples descoberta, pronto, terá valido a pena escrever de novo e de novo e de novo o que os mestres me ensinaram. Terá valido a pena catar os piolhos de Rimbaud, recolher os miolos de Maiakovski, cuspir o sangue de Bandeira.
São os poetas transparentes, transparentes como o silêncio? Beijo, respiro, bebo, como o silêncio?
Fingidores que são, podem ser inclusive transparentes esses poetas? Fingidor-eu? Fingidor-Pessoa? Fingidor-você?
Quantos e tais segredos guardam as cristaleiras do silêncio? Transparências ocultas nos meios-tons dos entardeceres, laranja, azul, vermelho, amarelo. Lápis, um transparente poeta fingindo em silêncio.
Outro dia na Papoetaria (sábados, 11:00, Tendal da Lapa), os Poetas do Tietê faziam um brainstorm sobre agri-cultura, meio-ambiente, primavera, enfim, as infinitas possibilidades de nosso tema do mês de outubro, quando Marcelo Ferrari bem observou que a primavera é uma explosão de cores e alegria. Na hora pensei: "Gentem, a primavera de São Paulo é a Parada Gay!"
Embora São Paulo conte com algumas espécies de árvores que nos presenteiam com suas fantásticas floradas agora no comecinho da primavera, - destaque para a Tipuana, o Ipê-Rosa, o Jacarandá Mimoso e a Sibipiruna, - a verdade é que ainda não temos jardins suficientemente bem cuidados ou um projeto paisagístico que faça da primavera um acontecimento em nossa cidade.
Muito ao contrário da Parada Gay, que de parada não tem nada. Na última edição movimentou quase 200 milhões de reais, atraiu 400 mil turistas e levou um total de 3 milhões de pessoas à Avenida Paulista.
Isso sem falar na explosão de cores e alegria!
Então está combinado, em São Paulo a primavera acontece em um fim-de-semana de junho, bem no meio do inverno!
crônica publicada simultaneamente em Tema de outubro:
Sábado 24/10 às 13:00H, dentro do evento Café Orgânico no Tendal da Lapa, Rua Constança, 72 Os Poetas do Tietê apresentarão o Sarau da AGRI-cultura! Não Perca!!!
Quer uma palhinha? Confira os vídeos do "Sarau do Lixo?"
O mundo anda tão maluco que nem a prima-vera prima mais pela verdade Vocês verão São paulo quinta-feira 8 de outubro onze e trinta de uma noite fria desafiando o frio fora de hora caminhando pela cidade fora de forma atravessando a degradada rua guaicurús o poeta prosseguia sussurrando poesia No mundo da lua não havia garoa fina 10 graus meia-noite ônibus errado No mundo onde ia a cabeça do poeta só havia poesia Foi quando percebeu o mendigo debaixo da marquise O papelão ajeitado à moda de cama o cobertor sujo a garrafa de coca-cola já quase sem cachaça alguma O homem só queria se ir desse mundo para qualquer lugar mais quente nem ligava se fosse o inferno Mas a realidade insistia em rodeá-lo Calçada asfalto garoa poças meia-noite são paulo E toda a poesia na cabeça do poeta se foi deixando sua cabeça vazia como a garrafa de cachaça Balão vazio que o guiava no mundo das nuvens despencou Calçada asfalto garoa poças meia-noite são paulo Muitas vezes esses tombos do mundo da lua são os que mais machucam O mundo anda tão maluco que nem a prima-vera prima mais pela verdade Vocês verão
crônica publicada simultaneamente em Tema de outubro:
você que jaz - não em paz, resurgindo das cinzas-cidade que o matou. você espelho que ela evita e quebra atraindo para si 7-centos anos de azar e ingnorância.
você onde a cidade cospe e faz pior, você seus intestinos, você seu coração, você suas próprias veias que a cidade auto-injeta e envenena.
amo-ti você, amo-ti, E.T. pousado nas entranhas da cidade.
amo-ti, E.T.,
porque você é verdadeiro, ela é de fumaça; você, elementar, ela é de borracha.
amo a ti, E.T., porque o verdadeiro E.T. é ela, cidade que, quando nasceu, se batizou em tuas águas. e quando dela nada restar, ti, E.T. renascerá.
Poema publicado simultaneamente em Tema de outubro:
Dizem que as estatística dizem que nas poucas horas entre o “É Fantástico” e o “está no ar o Bom-dia São Paulo”, neste curto período: domingo-à-noite-segunda-feira-de-manhã, ocorre o maior número de suicídios e ataques cardíacos na semana.
O que que é isso gente? É stress! Só de pensar, “Vai começar tudo de novo, o meu chefe, a cobrança, aquela pendência que eu ainda não consegui resolver...” Só de pensar já dá uma falta de ar, uma dor no peito, no braço esquerdo!
“Olha a hora! Seis e quarenta e cinco! Repita! Seis e quarenta e cinco!” Eu de férias, na praia, e meu vizinho me acordava todo santo dia com o rádinho de pilha e o barbeador elétrico: “Olha a hora! Seis e quarenta e seis! Repita! Seis e quarenta e seis!” Ô meu Cristo amado! Fé-ri-aaas! Relaxa homem! Não tem jeito, não. O paulistano acostuma com aquela hora de acordar todo dia e não desacostuma nem nas férias! Nem na aposentadoria!
“São Paulo da garoa, São Paulo terra boa!” Boa, com esse friozinho, de ficar debaixo das cobertas até mais tarde... “São Paulo que amanhece trabalhando!” Que trabalhando? Que trabalhando? Me deixa dormir!
TRRRRIIIIIIIIIIIIIIIMMMMMMM “São Paulo que não pode adormecer...”
Ô cidadezinha estressada, sô! Só mais cinco minutinhos!