Outro dia na Papoetaria (sábados, 11:00, Tendal da Lapa), os Poetas do Tietê faziam um brainstorm sobre agri-cultura, meio-ambiente, primavera, enfim, as infinitas possibilidades de nosso tema do mês de outubro, quando Marcelo Ferrari bem observou que a primavera é uma explosão de cores e alegria. Na hora pensei: "Gentem, a primavera de São Paulo é a Parada Gay!"
Embora São Paulo conte com algumas espécies de árvores que nos presenteiam com suas fantásticas floradas agora no comecinho da primavera, - destaque para a Tipuana, o Ipê-Rosa, o Jacarandá Mimoso e a Sibipiruna, - a verdade é que ainda não temos jardins suficientemente bem cuidados ou um projeto paisagístico que faça da primavera um acontecimento em nossa cidade.
Muito ao contrário da Parada Gay, que de parada não tem nada. Na última edição movimentou quase 200 milhões de reais, atraiu 400 mil turistas e levou um total de 3 milhões de pessoas à Avenida Paulista.
Isso sem falar na explosão de cores e alegria!
Então está combinado, em São Paulo a primavera acontece em um fim-de-semana de junho, bem no meio do inverno!
crônica publicada simultaneamente em Tema de outubro:
Sábado 24/10 às 13:00H, dentro do evento Café Orgânico no Tendal da Lapa, Rua Constança, 72 Os Poetas do Tietê apresentarão o Sarau da AGRI-cultura! Não Perca!!!
Quer uma palhinha? Confira os vídeos do "Sarau do Lixo?"
O mundo anda tão maluco que nem a prima-vera prima mais pela verdade Vocês verão São paulo quinta-feira 8 de outubro onze e trinta de uma noite fria desafiando o frio fora de hora caminhando pela cidade fora de forma atravessando a degradada rua guaicurús o poeta prosseguia sussurrando poesia No mundo da lua não havia garoa fina 10 graus meia-noite ônibus errado No mundo onde ia a cabeça do poeta só havia poesia Foi quando percebeu o mendigo debaixo da marquise O papelão ajeitado à moda de cama o cobertor sujo a garrafa de coca-cola já quase sem cachaça alguma O homem só queria se ir desse mundo para qualquer lugar mais quente nem ligava se fosse o inferno Mas a realidade insistia em rodeá-lo Calçada asfalto garoa poças meia-noite são paulo E toda a poesia na cabeça do poeta se foi deixando sua cabeça vazia como a garrafa de cachaça Balão vazio que o guiava no mundo das nuvens despencou Calçada asfalto garoa poças meia-noite são paulo Muitas vezes esses tombos do mundo da lua são os que mais machucam O mundo anda tão maluco que nem a prima-vera prima mais pela verdade Vocês verão
crônica publicada simultaneamente em Tema de outubro:
você que jaz - não em paz, resurgindo das cinzas-cidade que o matou. você espelho que ela evita e quebra atraindo para si 7-centos anos de azar e ingnorância.
você onde a cidade cospe e faz pior, você seus intestinos, você seu coração, você suas próprias veias que a cidade auto-injeta e envenena.
amo-ti você, amo-ti, E.T. pousado nas entranhas da cidade.
amo-ti, E.T.,
porque você é verdadeiro, ela é de fumaça; você, elementar, ela é de borracha.
amo a ti, E.T., porque o verdadeiro E.T. é ela, cidade que, quando nasceu, se batizou em tuas águas. e quando dela nada restar, ti, E.T. renascerá.
Poema publicado simultaneamente em Tema de outubro: