Blog do Paulo DAuria

19/07/2009

Sem título

 

Não havia como preparar o mundo para aquilo

à velocidade de um tiro

a coisa alastrou-se

corroendo estruturas

remexendo tumbas

coroando putas

 

Feito o grito do agora

subvertendo escolas

desacreditando dogmas

desconstruindo cálculos

envenenando bálsamos

 

Não havia como preparar o mundo para isso

nada mais era sabido

lugar nenhum seguro

coisa alguma escudo

 

Deteriorando pontes

obrigados a molhar os pés nos rios

como dantes no inferno

o errado no lugar do certo

o longe no lugar do peito

 

Não houve tempo para o mundo

como se ardessem os livros

todos os demônios juntos

doravante apenas o impreciso:

a poesia destruiu o tudo conhecido.


Escrito por Paulo DAuria às 03h09
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15/07/2009

Rios Franciscos São


Imagem: Pescadores, de Cícero Dias

Franciscos são
Tantos rios
A arrebatar minha morada. 

Rios Franciscos arrebentem
A represa de minha sede
A mitigar o meu sertão. 

E em suas margens, lavadeiras
Cantando as corriqueiras canções
da vida inteira.
Pescadores, redes
Arrastão e aluvião. 

Não faço questão de Esmeralda,
Morro de febre todo dia
Por Turmalina. 

Rios Franciscos são tantos a passar por minha vida,
Rios de sazão, de sezão, de tesão,
Rios perenes, de sereno sedimentar,
Cantando milenar cantiga
Nas pedras das corredeiras. 

Rios Francisco vão
Encontrar o mar,
Foz de todos nós (dois).


Escrito por Paulo DAuria às 17h05
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11/07/2009

Vídeos do Sarau Carne Viva

Veja minhas apresentações no Sarau Carne Viva:

Abertura:

Eu Tenho Pena É da Vaca!:

 

Foi Pra Isso Que Essa Vaca Nasceu:

Para ver todos os Poetas do Tietê
em ação no SARAU CARNE VIVA
clique AQUI!


Escrito por Paulo DAuria às 15h27
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08/07/2009

Eu não acredito mais em paraíso

Eu não acredito mais em
Paraiso,

para isso

seria preciso acreditar também no inferno,

acreditar tão bem no inferno.

 

Pára ‘í, sô!

 

Eu não acredito mais

desde que me tornei

interno

desta casa de repouso.

 

Teria que acreditar no bem e no mal,

Teria de escolher entre Bush e Husseim,

fazer o bem sem olhar a quem.

 

Não sendo cego,

Não enxergo outra saída:
pouso.

 

Pouso

de beira de estrada,

tv a cabo,

ar condicionado.

 

 Pouso no meio do caminho,

da janela eu vejo o purgatório,

poucos passos, alcanço o mictório.

 

Eu não acredito mais em

Paraíso.

Para ir só,

prefiro morrer mal acompanhado.

 


Imagem: capa do álbum Heaven and Hell da banda inglesa Black Sabath


Escrito por Paulo DAuria às 01h07
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04/07/2009

Manhã azul


Escrito por Paulo DAuria às 17h16
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