Blog do Paulo DAuria

27/04/2009

de bondes e trens das onze

Como fosse uma São Paulo de ontem, de bondes e trens das onze, hoje a São Paulo amanheceu garoa.


São Paulo terra boa, saudosa de si mesma, grávida de tantas São Paulos que não conheci, de locomotivas que não embarquei. Adonis de um Adoniran, bela de uma Bela Vista.


São Paulo prenha de amanhãs espargidos com a garoa de uma segunda-feira fria, morna de saudades do que poderia ter sido.

 

na hora de escolher uma ilustração para este post, logo me lembrei da dica de exposição de meu amigo Clayton em
www.pontodefuga.jor.br


fantástico trabalho de Maramgoni


Escrito por Paulo DAuria às 10h32
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20/04/2009

Ar vou

Poema publicado simultaneamente em

Tema de Abril:
ovo

No primeiro dia da Papoetaria, no Tendal da Lapa, fizemos uma dinâmica de grupo que foi o pontapé inicial
de toda a produção da oficina. O mote da dinâmica não foi extamente o ovo, mas a semente.
Por isso este poema parece (apenas parece) estar um pouquinho fora do tema do mês,
que na verdade engloba Ovo/Semente/Nascimento.

 

 

C O N V I T E


Escrito por Paulo DAuria às 16h03
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16/04/2009

ov0s e ninh0s

1) Eggearth

2) Eggbaby

Poemas/gravuras publicados simultaneamente em

Tema de Abril:
ovo

dia 25/04 às 19:00h no Tendal da Lapa
prepare-se
sar0vo
com os Poetas do Tietê


Escrito por Paulo DAuria às 16h50
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10/04/2009

Três ovos de chocolate barato

 

Tudo o que sei sobre o rapaz me disseram seus olhos no momento em que entrou no ônibus.

Sozinho, nas mãos uma sacola branca com três ovos baratos de chocolate. Parecia apenas querer um lugar para sentar, mas era evidente o cuidado com a sacola.

Quinta-feira véspera de feriado, oito horas da noite. Recém empregado em um escritório de contabilidade no Centro, saltou na Lapa para comprar os ovos.

Pouco mais que uma criança, lembrava de quando sua mãe lhe trazia para escolher ovos de chocolate barato.

Agora, chegara sua vez. Casado há poucos anos, dois filhos, levava o presente de Páscoa para os meninos e a esposa.

Tudo o que sei sobre o rapaz me disseram seus olhos no momento em que entrou no ônibus.

Sozinho, nas mãos uma sacola branca com três ovos baratos de chocolate. Parecia apenas querer um lugar para sentar, mas era evidente o cuidado com a sacola.


Escrito por Paulo DAuria às 18h22
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04/04/2009

uninverso

vejo crianças revirando lixo
pedindo
comendo isso
e penso
deve ser porque o universo não tem lado certo
e a terrª fica boiando sem chão
sempre de ponta cabeça

 

depois vejo a guerra no afeganistão
os líderes da otan brincando com seus soldadinhos
meninos não de chumbo
se voltam para casa ou não
eu acho
deve ser porque o universo não tem verso ou inverso,
e a tərra fica boiando sem sina e sem rima
sempre de cabeça pra baixo

 

daí eu ouço um tiro
mais perto ainda que na televisão
ali na esquina descalça
um pivete morreu tentando
roubar um tênis de quinhentossu-Reai$
então eu invento
deve ser porque o universo só tem avesso
e a te®®a fica boiando sem sorte e sem norte
sem rosa-dos-ventos que a guie
sempre perdendo a cabeça

eu penso eu tento eu reinvento
mas eu não entendo
eu nunca entendo
nasci burro demais

 

 

 

 


Escrito por Paulo DAuria às 22h39
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01/04/2009

The crazy little thing called love

Tenho ouvido falar muito
desta coisa chamada amor,
poetas têm, com maior ou menor felicidade,
reinventado palavras velhas,
manufaturado rimas novas,
para ela.

Tenho ouvido falar demais
De alguma coisa qualquer chamado amor,
as páginas policiais dão conta
de crimes de todos os graus
cometidos em seu nome.

Tenho ouvido e ouvido e ouvido
nos bares, em rodas de amigos,
amor, amor, amor, amor, amor,
e litros e litros de cerveja e vinho têm sido consumidos
em sua busca;
e os mais profundos suspiros adolescentes
tem chegado aos meus ouvidos arrancados
por este mistério chamado amor,

mas não consigo entender
onde atina o coro
de vozes tão dissonantes.

O que vem a ser este amor afinal?
Alucinação fantástica
que vitima humanos
de par em par?
Peste, praga, epidemia?

O que vem a ser este amor afinal?
O que há de errado
ou certo sobre ele?
É bom ou é mal,
Tristeza ou poesia?

Estaremos até o fim e o reinício dos tempos
ainda
procurando entender?

Não era pra ser simples,
não era pra ser fácil,
verão e limonada,
prima vera e vestidinhos de algodão?

 

Já começou!

PAPOETARIA DO TIETÊ  ::: Poesia, Prosa, 1 chôps e 2 pastel

Os Poetas do Tietê atracaram no Tendal da Lapa e estão convidando você pra entrar num barco de poesia, prosa e paulistaneidade. Pra navegar nesta oficina não é preciso prática, nem tampouco habilidade. Apenas traga sua luneta e venha descobrir junto com eles os tesouros escondidos na cidade.
 
Todos os sábados, das 10:30 hs - 13:00 hs
Tendal da Lapa (Rua Constança, 72 – Lapa)
3862-1837

Escrito por Paulo DAuria às 16h30
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