Blog do Paulo DAuria

25/01/2012

PORRADA!

 

Acabou! Acabou! Acabou! Acordei com a voz rouca e embargada do Galvão narrando a final do UFC. Odeio UFC, odeio a modinha do UFC e acho o Galvão um chato, mas acordei feliz: Eu tinha ganhado por nocaute. Ganhado de você.

Você que vem me derrubando todos os dias nos últimos 45 anos. E eu, todos os dias, me levanto e continuo, como se no meio de uma luta o lutador pudesse dormir uma noite inteira pra recobrar as forças.

Uma noite inteira, eu disse? Bom, isso quando você não manda seus cupinchas soltarem fogos na janela do hotel onde estou concentrado. Hotel, eu disse? Desculpem, me empolguei, quis dizer casa na periferia. E no lugar de fogos, leiam carros com batidão no último volume circulando debaixo da minha janela.

Mas hoje, inspirado pela voz de Galvão, acordei decidido a pôr um fim nesta luta. Deixa só eu sair deste trânsito na marginal, que você vai ver se eu não dou um bem dado nas suas fuças! O meu nocaute vai ser tão definitivo que amanhã, quando acordar, não vai querer voltar pra luta não. Amanhã vem mansinha me pedir perdão por todos esses anos! Querendo discutir a relação, dizendo que vai mudar, que daqui pra frente... nhen nhen nhen nhen nhen nhen na minha orelha!

Caro leitor, não fica com dó, não. Vai ser bom pra você também. Largando do meu pé, ela acaba largando do seu... Deixa só eu sair desse trânsito. Deixa só a Besta aqui do lado regular essa merda desse escapamento!

Não vou deixar barato. Se o meu celular tivesse rede, eu ligava já! Melhor, se o meu GPS encontrasse sinal de satélite, te achava onde estivesse e diria umas boas verdades na sua cara!

E você bem que merece, delinquente! Não te perdoo! Meu amigo, que você pegou com sua turminha numa travessa da Paulista e encheu de porrada, tá no hospital ainda... E só porque o cara era viado!

Outro dia disse na cara de um outro amigo meu, cearense, “Volta pra tua terra, baiano!”. Você é louca, preconceituosa, fascista e nunca estudou geografia na vida!
Isso sem falar nos meninos que explora mandando pedir dinheiro no farol pra sustentar a sua miséria!

E os namorados, quer dizer, cafetões que você arruma? Teve aquele procurado pela Interpol, teve outro que foi denunciado como ladrão pela própria mulher... O atual, além de ser suspeito de ladroagem, se acha o dono do mundo e vive querendo proibir todo mundo que ande com você de fazer qualquer coisa: fumar, beber, usar sacolinha plástica... Nem na feira que você vai ele deixa o feirante gritar, “Ovo e uva boa!”

O pior é que você age como uma vadia de terceira, mas cobra caro como uma acompanhante de luxo! Pra sair contigo uma noite — cinema, estacionamento, jantar, vallet park, motel — gastei o que nem tinha pra gastar. Passei cartão. Clonaram!

Se bobear, gastava menos com a Paris! Com a Paris qualquer barraco vira um quarto do Hilton! Ah, se fosse com a Paris nada disso acontecia! Caminharíamos de mãos dadas a beira do rio... no lugar da Besta desregulada, Charles Aznavour e um realejo tocando “She may be the beauty or the beast, lá lá lá lá rá lá...”. Traduzindo: Ela pode ser a bela ou a fera, Talvez a fartura ou a fome, Pode transformar cada dia no céu ou no inferno”.

Traduzindo de novo, se fosse a Paris seria a mesma coisa! Essas garotas são sedutoras de longe, mas vai morar com elas pra ver!

Acabou! Acabou! Acabou... Não, não acabou, você é Anderson Silva, essa luta eu nunca vou vencer.

Mas quando estou cansado de tomar porrada, você percebe e bota uma pérola no meu caminho. Um truque de mágica encantador. Tem sido assim desde aquele show no Sesc Anchieta: Eu com uns 15 anos, pela primeira vez saía sem autorização e e chegava em casa depois da meia-noite. Quando voltei, ouvi um discurso interminável sobre os perigos de estar com você até mais tarde e das más companhias. Mas valeu a pena descobrir a mistura de rock progressivo e MPB da Barca do Sol.

De lá pra cá, muitas outras pérolas pescadas no lodo do Tietê: Queen no Morumbi, a gente pulando de uma sala para outra pra tentar acompanhar a Mostra de Cinema, Antônio Nóbrega na Vila Madalena, Plínio Marcos vendendo livros no Centro Cultural, a “Bruuuna” bem na minha frente na fila do Belas Artes, aquele circo armado na Augusta — lembra? — Beto Guedes, Marina... A Balada Literária.

Ah, as coisas que você faz por mim, ninguém mais fazia... Nem a Paris! Assim, de pérola em pérola, não consigo largar essa menina com cruzado de lutador de vale-tudo.

Tem um helicóptero parado no ar algumas centenas de metros a frente. Mal sinal, quando mandam helicóptero pra Marginal, foi carreta que tombou, motoqueiro que se acidentou, rio que transbordou... Hoje não saiu daqui tão cedo! Vou ficar cozinhando por horas neste George Foreman Grill em que o meu Uno se transforma no verão!

Ah, São Paulo, minha cidadezinha querida! Se um dia eu te pego de jeito, te cubro de porrada!



Escrito por Paulo DAuria às 00h13
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15/01/2012

Faixa de Gaza


Escrito por Paulo DAuria às 14h00
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14/01/2012

A Femen e Ele

 

Sozinho, na noite de sexta-feira, assistindo ao Jornal Nacional, ele alcançou o auge de seus anseios políticos: sonhou transar com uma ucraniana feminista do grupo Femen.

Ele a trataria bem, como nenhum porco machista ucraniano jamais tratou. Ele lhe daria banhos de sais e espuma biodegradável com aroma de côco... não, de frutas vermelhas... não, de côco com frutas vermelhas.

E quando ela saísse com suas amiga feministas para protestar contra o capitalismo global, contra o aquecimento global, contra a fome global, ele ficaria em casa preparando seu jantar. Para ela e suas amigas. Ele preparia sushis e sashimis, ele serviria espumantes brancos e secos para ela e suas amigas.

E quando ela voltasse ao fim de mais um dia de protestos para casa com suas amigas ucranianas feministas ele cuidaria de suas feridas, dela e de suas amigas, feridas feitas pelos cassetetes dos truculentos porcos machistas das forças de segurança ucraniana.

E quando suas amigas fossem embora refeitas, ele transaria com sua amante feminista ucraniana a noite inteira ao som de Roberto Carlos que ela nunca ouvira antes mas achava tão sexy o som da língua portuguesa até amanhã de manhã e servir um café e depois.

Sozinho, na noite de sexta-feira, ele a viu com seus lindos seios de fora narrados por Willian Bonner e se apaixonou, alcançando o auge de seus anseios políticos: sonhou transar com uma ucraniana feminista do grupo Femen.

E assim, até amanhã de manhã e um café e depois, ele fez sua parte, salvando o mundo e se autossatisfazendo se é que você me entende.


Escrito por Paulo DAuria às 15h04
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07/01/2012

Siegessäule

um truque de rímel sob o céu de berlin e o anjo oferece sua vida às mãos grossas do travesti brasileiro  fifiti eurrô um erro compreensível anjos não tem nexo velhos ditos são feitos de criancinhas curras digo inocências burras que morrem que deus chama flama flanam pelos infernos recém descobertos por engels e mais trincam garrafas de cerveja contra pedaços de muro bebericam bier sob o obelisco falso fatídico a porra jorrando dourada lá do alto e alexandre plac quebrou o salto espatifou-se e engels queria rir queria ir mas desacordado reacordou e sonhou que tinha asas que tinha que asas


Escrito por Paulo DAuria às 15h52
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06/01/2012

alas del deseo

 

anjos se apaixonam por trapezistas alemãs por colombinas cariocas por bailarinas russas por meninas do baile funk porque as mulheres mais puras são putas porque as mulheres mais vagabundas são candura anjos pulam da beira do abismo entre o céu e a terra por atrizes californianas de filmes pornôs por atores japoneses do kabuki por colombianas devotas de nossa senhora de copacabana por paulistanas discretamente deselegantes porque as mulheres mais diabólicas são anjos porque as mulheres angelicais são eva insinuando-se completas e complexas em suas mentes e coraçõezinhos estúpidos desorientando os pobres querubins adestrados anjos caídos queimam as penas de suas asas em fogueirinhas de papel em cachimbos de crack em pilhas do celulóide original de farenheit 451 para se aquecer no inverno no inverno inverno do inferno


Escrito por Paulo DAuria às 22h20
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23/12/2011

Verão

O tempo insinua chuva e meu quintal ainda cheio de folhas picotadas pelo gelo do último domingo. É verão desde de não sei que horas da madrugada e o tempo faz questão de chuvas de verão. Recolho saquinhos de folhas quase secas picotadas pelas pedras do último domingo. Saquinhos transparentes onde vêm embrulhados os jornais que anunciam que é verão desde não sei quando e o tempo. O céu se move rápido. É verão. Dez ou doze ou um ou três saquinhos transparentes de folhas ainda verdes porém ressequidas no cimento do quintal desde tarde tarde tarde. A tarde de domingo. É verão. Se não varro as folhas secando secando secando. Não é outono. Gelo se acumulando na tarde tarde tarde de domingo. E vento. E Tempo. Desejo de tempestades e as folhas e a água. E gelo. Cascatas nas escadas de minha sala. Inundação.


Escrito por Paulo DAuria às 00h23
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22/12/2011

Papai-noel de Loja


Escrito por Paulo DAuria às 01h59
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19/12/2011

Poema dildo


Escrito por Paulo DAuria às 00h32
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15/12/2011

Estudos sobre política - 1) Capitalismo


Escrito por Paulo DAuria às 11h00
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26/11/2011

Disque diz que 14) Na Orelha

Disque diz que - 14) Na Orelha

Mas a culpa não foi minha, não... Quando vi que o malandro era franzino, dei bem de levinho... Nunca vi desmaiar no primeiro telefone!


Escrito por Paulo DAuria às 21h25
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25/11/2011

Disque diz que 13) Disque Gás

Disque diz que - 13) Disque Gás

— Preciso de um bujão.
— Só?
— E um palito de fósforo.


Escrito por Paulo DAuria às 22h42
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24/11/2011

Disque diz que 12) Auxílio à Lista

 

Disque diz que - 12) Auxílio à Lista

Preciso de um número! O número mudou!
Pois não, senhor, pode dizer.
3827!
E o que mais?
3827! Já disse, 3827!
Esse não é um número válido, senhor.
Mas em 1950, quando eles casaram, era! Eu estava esperando!
Senhor, não posso ajudar.
Você não entende? É urgente! O safado morreu!


Escrito por Paulo DAuria às 22h36
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23/11/2011

Disque diz que 11) Disque Câmara

Disque diz que - 11) Disque Câmara

— Me manda um deputado honesto... Meu filho tá precisando pra gincana da escola...


Escrito por Paulo DAuria às 22h05
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Disque diz que 10) Disque Sexo

Disque diz que - 10) Disque Sexo

— Você tá vestindo o quê?

— Nada, gostoso, tô pelada...

— Então põe a roupa de volta que minha mãe bateu na porta!


Escrito por Paulo DAuria às 00h58
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21/11/2011

Disque diz que 9) Disque Água

 

Disque diz que - 9) Disque Água

Desde que visitou a capital, o garoto sertanejo sonhava ganhar um celular. É que na cidade grande anotou o número de telefone que resolveria os problemas da família: “Disque água”


Escrito por Paulo DAuria às 20h31
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