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Dos usos e desusos do garfo e faca

 Imagem: http //makondephotography.com
Um banquete para duzentos talheres
Exige mais que etiqueta,
Black-tie para os homens,
Chapinha para as mulheres.
Para um jantar em família
É recomendável que não se perca o juízo,
Além disso,
A pizza pode ser comida em um guardanapo,
E pode-se chupar a manga através de um buraco
Aberto na casca.
Mas para o sopão dos mendigos
Nada,
Nada,
Nada
Apenas graças (em silêncio) Por mais uma refeição.

Escrito por Paulo DAuria às 17h06
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Em templos olímpicos
 http://chasuma.blogspot.com/2007/12/tibetan-refugees-paint-life-in-exile.html
I - O horizonte perdido
Sempre com a cabeça nas nuvens Não há poeta que não passe temporadas em Shangri-lá, Ainda ontem, estive lá. Porém, derretiam-se os picos nevados do Himalaia, Todavia o Ever-est fervia, Never-est, Fever-est.
Sangue-lá.
Devo admitir, Desde 1949 não procurava meus amigos levitando nas montanhas, Mas eu não podia imaginar Que quando voltasse Eu veria o que vi:
O horizonte perdido.
II - Bad-minton
Eu não daria um pulo na china Eu não acenderia a pira da china Eu não quebraria um recorde na china Eu sequer jogaria peteca na china Bad-minton, bad
Eu não daria à china A honra de minha presença Eu sequer daria à china A medalha desdouro de minha indiferença
Mas quem sou eu Diante das grandes potências do mundo? O que é um simples poeta Diante dos grandes estadistas do mundo?
O poeta que se dane O diabo que o carregue E arraste o Dalai na lama E leve o Tibete com ele!

Escrito por Paulo DAuria às 03h18
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Sapos Sapiens
 Imagem: http//michelesworld.net
Homo sapiens sapiens,
Mais sabem os sapos!
Quem é o cururu?
O ser da ilógica lógica ecológica
Ou o sapo cantando na beira da lagoa?
O ser humano,
O ser ônus,
O ser não nos unamos,
O ser não sei
Ou o sapo cantando na beira da lagoa?
Homo bufos bufos,
Bufo sapiens sapiens,
Quem é o bufo?
Quem é o bufão?
Homo stupidus stupidus,
Racionulidade.
(A racionalidade, com a idade, não vem.)

Escrito por Paulo DAuria às 17h46
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Ela tocou a tarde
 Ilustração Paulo D'Auria
Ela tocou a tarde,
já não cria em mais nada,
rumo ao trabalho,
deixava-se levar pelo coletivo
até o olho do labirinto da cidade.
O escritório vazio (os colegas passando ao redor),
a cidade vazia (a multidão espremida no coletivo).
Ela conseguiu um lugar para sentar-se,
acomodou-se junto à janela
abrindo os vidros para respirar.
Colocou as mãos para fora
e lembrou-se menina
brincando com o vento
no banco de trás do carro da família.
As mãos para fora da janela,
voltou a sentir o vento,
percebendo que a tarde fendia à seu toque
como fosse o coletivo uma canoa,
e a tarde, as águas de um rio,
e suas mãos, suas mãos inteiras.
Sorriu,
fechou os olhos
e abandonou a timidez,
Esticando o braço o mais que pôde.
Ela tocou a tarde,
e a tarde se abriu na ponta de seus dedos.

Escrito por Paulo DAuria às 08h58
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nadegasparalisantes
 poema-gravura: Paulo D'Auria

Escrito por Paulo DAuria às 03h12
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Palavrum
 Gravura/poema: Paulo D'Auria
Para falar de amor, um poema.
Para o ódio, estratagemas.
Para o caos, leis.
Para caçar raposas, reis.
Para aprender, cartilha.
Para o incompreensível, Deus.
Para o pão, partilha.
Para você, eu.
Palavras
Em cada batalha
Que o homem trava.
Algaravia.
Para que a vida a pena valha,
Só peço uma que não se descubra vazia.

Escrito por Paulo DAuria às 01h53
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Ode à Internet

world wide web
mundo mundo vasto mundo
palavras de
raimundos e priscilas
de helges e kazumis
sebastianas e wolfgangs
words wide wild
pululando das gavetas
blog blog blog
globe globe globe
hey baby
take a walk on the wild side
eu dáblio dáblio dáblio-me por teus lábios virtuais
Gravura WWW: Paulo D'Auria

Escrito por Paulo DAuria às 15h15
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Reciclicidade
 Imagem: www woostercollective.com/images/2006/06/olhando.jpg
São Paulo é assim, o fim.
Reciclicidade do lixo, disso, daquilo, daculoutro.
Reciclicidade da inversão térmica, da invenção férvica, da intervenção cirurgicamente inviável.
São Paulo não cabe na métrica, Ca ótica cega,
São Paulo não sabe a gramática,
É anafilática – digo, analfabética.

Escrito por Paulo DAuria às 12h15
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Balão sem lastro
 Imagem: http //www.photohome.com/pictures/hot-air-balloon-pictures/balloon-1a.jpg
Queríamos tanto
Que ríamos tontos
Embriagados pelo ninar da Terra
A girar e produzir verões.
Sabíamo-nos tolos,
Passarinhos caindo dos ninhos
Imaturos.
A cair e levantar,
Dois Carlitos de um cinema vazio,
Movidos pela moviola da paixão.
Não acredito em saudade,
Apenas penso em nossas desventuras
- E o riso, verde rastro, de volta,
E o siso, balão sem lastro, solta-se. -
(P.S.: Por onde andará você, atrás de escrivaninha miudinha tal qual a minha?)
Escrito por Paulo DAuria às 02h45
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