Blog do Paulo DAuria

04/07/2009

Manhã azul


Escrito por Paulo DAuria às 17h16
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24/06/2009

foi pra isso que essa vaca nasceu / SARAU CARNE VIVA

Fria
fatiada no supermercado
descongelando em minhas mãos
exalando devagarinho
o cheiro
o cheiro de sangue
que não corre mais

FOI PRA ISSO QUE ESSA VACA NASCEU
pra saciar essa fome
que o homem
não sente

Pra saciar o esquecido
os não-sentidos
a fome morta

FOI PRA ISSO QUE ESSA VACA NASCEU
fria
em carne viva

Os Poetas do Tietê convidam para o
SARAU CARNE VIVA

sábado 27/06 às 20:00h
no Tendal da Lapa


Escrito por Paulo DAuria às 17h12
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16/06/2009

a poesia só come marmelada

a poesia deve resgatar
o que cala em minha alma
ou não será poesia
(segundo o Houaiss, há 40 significados para essa palavra de 4 letras
ânima/ânimo/21 gramas/fonte da vida/essência imortal do ser/deus e diabo
não será muita pretensão para tão magrelinha
arte?)

a poesia deve ser
lírica
(mas há tantos e tão profundos eus
Pessoa/pessoas/desconhecidos dentro de mim/
me olhando assustados por teus olhos
eus
que nem eu sei
como poderia
a poesia?)

a poesia deve ser isso e mais aquilo
houve épocas que deveria ter métrica
já teve por sina, a rima
em certos istmos
penas apenas com ritmo

esqueça
não há nada que a resuma
que a defina
que a esclareça


esqueça
a poesia é o nada
o esquecido
em tudo
contido


Pintura de Ana Carolina Aguilar


Escrito por Paulo DAuria às 20h23
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05/06/2009

A Carne, Uma Ópera Bufa / TENDAL DA LAPA 20 ANOS

1º Movimento - Andante
A carne é o cru do homem.
Pele, cabelo, dente, sorriso,
o resto é truque de maquiagem.

2º Movimento - Grave
Por baixo dos costumes bem cortados,
por baixo dos costumes refinados,
a carne, crueza do homem.

Por trás da linguagem empolada,
por trás do brinde à saúde,
nua, a verdade do homem.

A carne crua,
o homem nu.

3º Movimento - Vivace
Eu tenho pena é da vaca,
da galinha, do porco, do passarinho;
é só ter um bocadinho de carne,
que o homem se põe a lamber beiço.

Jacaré tem gosto de galinha com peixe,
tatu tem gosto de galinha com porco,
capivara tem gosto de galinha com vaca,
carne de gente é doce.
De onde vem tanta sabedoria popular?

Eu tenho pena é da vaca,
do carneiro, do cabrito, da rã;
é só ter um tiquinho de carne
que o homem se põe a babar ovo.

O que na Índia é sagrado,
no Brasil é bife.
Na França se come cavalo.

O que no Brasil é totó,
na Coréia é acepipe.
No México, iguana é Iguaria.

vaiformigafrita/cérebrodemacaco/
testículodecarneiro/olhodebode/
cobraaocurry/foca-morsa-zebra?
Vai! Vai tudo! O que vier o homem traça!

Depois é febre aviária, suína, febre da vaca,
vaca-louca, esquistossomose
colestorol, infarto, brucelose.

Aí, o homem reza a Deus!
Por que a Deus,
se a única fé do homem
é na fome?

Eu?
EU TENHO PENA É DA VACA!

4º Movimento - Adagio
Feijoada parece uma orgia de grãos,
mas é uma sopa de porco.

Caviar é para poucos,
mas não passa de ovos de peixe.

Dobradinha é nome chique
para buchada de boi.

Hambúrguer, esfiha
buraco quente, bolonhesa
é tudo carne moída.

Carpaccio é boi cru,
sashimi é peixe cru;
a fome é homem nu,
a gula, o homem-rei-urubu.

5º Movimento - Allegro
Quando o europeu descobriu o Brasil,
foi uma festa que jamais se viu:
português, italiano, espanhol, holandês,
destas nobres carnes um grande churrasco o índio fez!

Como parte das comemorações pelos 20 anos do Espaço Cultural Tendal da Lapa, os Poetas do Tietê adotaram no mês de junho o tema CARNE VIVA.

O Tendal, um dos mais democráticos e simpáticos espaços culturais da cidade, onde ministramos nossa oficina poética, a Papoetaria, e onde realizamos nossos saraus  mensais (a cada último sábado do mês), funciona em um edifício tombado pelo Patrimônio Histórico onde outrora funcionou um matadouro.

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte!

Desejo-necessidade-vontade!


Escrito por Paulo DAuria às 17h26
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04/06/2009

Caso ou Compro uma Bicicleta??? Os Vídeos!!!

Os vídeos do SARAU Caso ou Compro uma Bicicleta??? Já estão no YouTube!
Abaixo, os vídeos em que o poeta que vos fala interpreta suas obras

LINDABELLE SABIA QUE ERA AMOR
com a participação de CISSA LOURENÇO


VOLTA DA FRANÇA


E MORRERAM TRISTES AGORA
com a participação de CISSA LOURENÇO



Para ver todos os vídeos do sarau
e todos os POETAS DO TIETÊ em ação
clique aqui!!!


Escrito por Paulo DAuria às 14h20
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26/05/2009

e morreram tristes agora

 

Quando eu era menina, achava domingos de sol e as pessoas passeando de bicicleta no parque, a coisa mais bonita do mundo. Meu pai levava a bicicleta amarrada no capô do fusca. Chegando ao parque, parafusava as rodinhas e eu estava pronta pra ser feliz.

 

Quando eu era menino, folheando as revistas de costura de minha mãe, ia direto para os vestidos de noiva. Achava noiva a coisa mais bonita do mundo. Grinaldas, bouquet...

 

Quando eu era menina, Odiava as histórias que acabavam assim: “E viveram felizes para sempre.” Como assim? Para sempre é muito longe, é quase nunca!

Quer ver? Qual seria exatamente o contrário disso? Seria começar uma história assim, “E morreram tristes agora!” Não é? “E morreram tristes agora...” Ninguém começa uma história assim. Então por que terminar com “E viveram felizes para sempre?”

Alguém está boicotando o final dessas histórias... Estão me escondendo alguma coisa!

 

Quando eu era menino, ainda não entendia essa história de mulher da minha vida, mas já sabia que queria casar. Com quem, porquê, quando e onde eram questões que sequer passavam pela minha cabecinha. Eu apenas sabia que uma linda mulher toda de branco me esperava no futuro.

 

Quando eu era menina, não pensava em casar. Pensava em morar sozinha na Paulista, no máximo dividir apartamento com uma amiga. Trabalhar, ser independente.

 

O engraçado é que foi ela quem falou em casamento a primeira vez. Assim, no meio de uma conversa, naturalmente, “quando a gente se casar...” E eu, que sempre pensara nisso, levei um susto!

 

Saiu. Quando eu vi o espanto tava todo lá, estampado na cara dele. Quase me arrependi, mas falei por falar, sem perceber. Estes pensamentos viviam na minha cabeça ultimamente: a nossa casa, os móveis, as cortinas. Planos.

 

Por que eu, que sempre pensara nisso, tinha ficado assustado? Para onde tinham ido os vestidos todos, as mulheres de branco sonhadas em menino? Por que nunca pensara nela assim, se era evidente que era ela, - a mulher da minha vida?
Sorri forçado, mas ela percebeu o meu desconforto.

 

Intuía que ele não teria medo do meu sucesso, como dizem que os homens têm das mulheres. Não ia desistir da faculdade, não ia desistir de nada. De nenhuma das bicicletas da vida.

Apenas acho que ninguém parafusaria as rodinhas no parque para nossos filhos melhor do que ele.

 

Percebendo que ela percebera que eu percebi que ela percebera... Recolhi o sorriso amarelo e continuei a conversa do ponto crítico em que ficara emudecido uma longa fração de segundos atrás: “Quando a gente se casar...”

 

- A conversa fluiu sem dor a partir desta descoberta simples: naquele momento eu deixara de ser menina.

- A conversa fluiu sem dor a partir desta descoberta simples: naquele momento eu deixara de ser menino.

conto publicado simultaneamente em

tema do mês de maio:
"CASO OU COMPRO UMA BICICLETA?"

  

A dúvida mais antiga da história da humanidade
é o tema do novo sarau dos Poetas do Tietê

Não faça cerimônia, venha
e case-se você também com a noiva do dia,  a poesia!


31/05 às 20:00h no Tendal da Lapa

brincadeirinha que não quer calar:
"traje esporte-chic"


Escrito por Paulo DAuria às 19h36
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19/05/2009

Volta da França

Volta da França

Não, eu não era discreta.

Provocavá-o nua,

dançando piruetas de moleca
na janela de frente pra sua.

 

Mal sabia eu que
enquanto minha cabeça ia pelo mundo da rua

você planejava o evento.
Pensava eu em bicicleta,

apareceu falando em sacramento.

Imaginem vocês o meu desalento...

 

Veja bem, meu bem
como isso me afeta:
arquiteto ser arquiteta!

Filhos, quilos, dieta...

Fui logo tirando meu da reta!

 

Mas era teimoso o elemento,

proposta ereta

me perseguia com fôlego de sargento!

Fácil, não desistiria de seu intento.

 

Começamos a namorar,

eu ainda analfabeta

nas armadilhas do amor,

pensando: desiste no primeiro tento.

 

Qual o quê!
Com aquela cara de sonso,

arrastou-me o sujeito para o leito,

primeira etapa de seus planos.

Hoje fazemos anos,

bodas comemoramos!

Trocamos aliança,

na Volta da França!

poema publicado simultaneamente em

tema do mês de maio:
"CASO OU COMPRO UMA BICICLETA?"


Escrito por Paulo DAuria às 16h38
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09/05/2009

o poeta de fraldas

Caro amigo leitor, pensando em você, que sempre sonhou em ver o poeta de fraldas, aí vai uma seleção dos vídeos do sarOvo onde apareço declamando meus poemas do jeitinho que mamãe passava talquinho!
Gugu-dadá!



Para ver todos os vídeos do sarOvo
clique aqui


Escrito por Paulo DAuria às 15h29
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04/05/2009

delicado equilíbrio

Entre eu e você

Esta tensão

Como se o teu hálito fosse gasolina

E os meus lábios, fósforo

 

Entre eu e você

Este delicado equilíbrio

Como se teus olhos fossem sol

E os meus, terra

 

Mas e daí se os nossos corpos explodirem?

E daí se os nossos mundos implodirem?

A culpa a falta a multa a penitência,

O pecado o certo e o errado,

E daí se tudo o mais for para o céu

E nós dois para o inferno?

 

Entre eu e você

Este tesão

Velado

Meus olhos queimando em teu colo palpitando em meus olhos

Minhas mãos derretendo em teus seios flutuando no ar

Meus lábios secando na saliva dos beijos mudos

 

E daí?

A culpa a falta a multa a penitência,

O pecado o certo e o errado

E daí se nossos corpos se consumirem

E daí se formos juntos para o céu

E pagarmos com o inferno?

 

 

Já está no ar a nova edição das
Escritoras Suicidas
com textos de Adelaide do Julinho, Florbela de Itamambuca, Mariza Lourenço, Nina Rizzi,
Santa Maria, Silvana Guimarães, Shânkara Lis
entre outras.

Abaixo, uma palhinha do conto "Berliner Mauer", de minha amiga Patty Flag:
"Mas, querido, não havia muro naquela época. O muro só começou a ser construído bem depois de eu chegar ao Brasil. Você deve se lembrar, foi ali pelos anos 60. Já havíamos nos conhecido no Cassino da Urca e nos perdido de vista novamente. Na época do muro eu já estava na Vogue.
Oromar esfregou as mãos e começou a se servir, elogiando o feijão que derramava com cuidado sobre o arroz, vagarosamente misturando o preto no branco."

Para ler este conto na íntegra, acesse
www.escritorassuicidas.com.br


Escrito por Paulo DAuria às 15h53
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01/05/2009

Quando nos casamos

Quando nos casamos, uma bicicleta não resolveria nosso problema. Nem um fusca 73 estava mais resolvendo.

Tínhamos esta necessidade de estar juntos que só os apaixonados entendem. E não era só pra fazer sacanagem não, Sr. Mente Suja! Precisávamos conversar, compartilhar o dia, acertar os ponteiros do mundo.

E essas longas digressões já naquela época começavam a ficar perigosas tarde da noite num fusquinha, e a atrapalhar o sono de nossos solteiros companheiros de quarto.

A bicicleta viria a seu tempo, mas então era tempo de casamento.

Casa não tínhamos, dinheiro muito menos. Mas, somando nossas vontades, nossos amigos e a gravata do noivo, até uma lua-de-mel nós tivemos.

E fomos andar de bicicleta na lua, na lua-de-mel, nas ruas da lua.

Muito tempo depois, nossa volta mais longa, queríamos ver um moinho, e os dois Dom Quixotes, cada qual Sancho Pança do outro, alugamos uma bicicleta em Bruges, Bélgica, e pedalamos, pedalamos, pedalamos até encontrar nosso moinho de vento.

O tempo das bicicletas havia chegado e parecia que iria durar para sempre!

Mas furaram-se os pneus, enferrujaram-se os aros, rodou o moinho dos tempos.

Nós dois seguimos em frente, hoje de patinete, amanhã de rolimã, depois, quem sabe?

Palhaços do circo do mundo, enquanto houver esta lona azul de sol e estrelas, até na corda-bamba nós vamos!



 

crônica publicada simultaneamente em

tema do mês de maio:
"CASO OU COMPRO UMA BICICLETA?"


Escrito por Paulo DAuria às 12h27
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27/04/2009

de bondes e trens das onze

Como fosse uma São Paulo de ontem, de bondes e trens das onze, hoje a São Paulo amanheceu garoa.


São Paulo terra boa, saudosa de si mesma, grávida de tantas São Paulos que não conheci, de locomotivas que não embarquei. Adonis de um Adoniran, bela de uma Bela Vista.


São Paulo prenha de amanhãs espargidos com a garoa de uma segunda-feira fria, morna de saudades do que poderia ter sido.

 

na hora de escolher uma ilustração para este post, logo me lembrei da dica de exposição de meu amigo Clayton em
www.pontodefuga.jor.br


fantástico trabalho de Maramgoni


Escrito por Paulo DAuria às 10h32
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20/04/2009

Ar vou

Poema publicado simultaneamente em

Tema de Abril:
ovo

No primeiro dia da Papoetaria, no Tendal da Lapa, fizemos uma dinâmica de grupo que foi o pontapé inicial
de toda a produção da oficina. O mote da dinâmica não foi extamente o ovo, mas a semente.
Por isso este poema parece (apenas parece) estar um pouquinho fora do tema do mês,
que na verdade engloba Ovo/Semente/Nascimento.

 

 

C O N V I T E


Escrito por Paulo DAuria às 16h03
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16/04/2009

ov0s e ninh0s

1) Eggearth

2) Eggbaby

Poemas/gravuras publicados simultaneamente em

Tema de Abril:
ovo

dia 25/04 às 19:00h no Tendal da Lapa
prepare-se
sar0vo
com os Poetas do Tietê


Escrito por Paulo DAuria às 16h50
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10/04/2009

Três ovos de chocolate barato

 

Tudo o que sei sobre o rapaz me disseram seus olhos no momento em que entrou no ônibus.

Sozinho, nas mãos uma sacola branca com três ovos baratos de chocolate. Parecia apenas querer um lugar para sentar, mas era evidente o cuidado com a sacola.

Quinta-feira véspera de feriado, oito horas da noite. Recém empregado em um escritório de contabilidade no Centro, saltou na Lapa para comprar os ovos.

Pouco mais que uma criança, lembrava de quando sua mãe lhe trazia para escolher ovos de chocolate barato.

Agora, chegara sua vez. Casado há poucos anos, dois filhos, levava o presente de Páscoa para os meninos e a esposa.

Tudo o que sei sobre o rapaz me disseram seus olhos no momento em que entrou no ônibus.

Sozinho, nas mãos uma sacola branca com três ovos baratos de chocolate. Parecia apenas querer um lugar para sentar, mas era evidente o cuidado com a sacola.


Escrito por Paulo DAuria às 18h22
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04/04/2009

uninverso

vejo crianças revirando lixo
pedindo
comendo isso
e penso
deve ser porque o universo não tem lado certo
e a terrª fica boiando sem chão
sempre de ponta cabeça

 

depois vejo a guerra no afeganistão
os líderes da otan brincando com seus soldadinhos
meninos não de chumbo
se voltam para casa ou não
eu acho
deve ser porque o universo não tem verso ou inverso,
e a tərra fica boiando sem sina e sem rima
sempre de cabeça pra baixo

 

daí eu ouço um tiro
mais perto ainda que na televisão
ali na esquina descalça
um pivete morreu tentando
roubar um tênis de quinhentossu-Reai$
então eu invento
deve ser porque o universo só tem avesso
e a te®®a fica boiando sem sorte e sem norte
sem rosa-dos-ventos que a guie
sempre perdendo a cabeça

eu penso eu tento eu reinvento
mas eu não entendo
eu nunca entendo
nasci burro demais

 

 

 

 


Escrito por Paulo DAuria às 22h39
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